Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DANIEL LIMA


Daniel dos Santos Lima nascem em Timbaúba, Pernambuco, Brasil, em 1916.  Fez estudos de Teologia e Filosofia nos Seminários de João Pessoa e no Recife. Fundou e dirigiu o jornal A Voz de Nazaré, em Nazaré da Mata, PE, onde residiu por muitos anos. Foi professor de Filosofia, Estética e Latim, na Faculdade de Filosofia do Recife e na Universidade Federal de Pernambuco. Por muito tempo, Daniel Lima orientou e iluminou gerações de jovens e de menos jovens intelectuais em Pernambuco e no resto do Brasil. Tem 27 livros inéditos, de poesia ou versando sobre assuntos referentes à ética, à estética e à política. Em 2011, com seu livro Poemas, recebeu o prêmio Alphonsus de Guimaraens, da Fundação Biblioteca Nacional. 

 

LIMA, DanielPoemas. Recife: Cepe, 2010.   415 p.   16x24 p.  Projeto gráfico: Ricardo Melo.  Capa dura e sobrecapa  de couchê duro. Ilustração da capa: Galo-de-campina, de José Cláudio.  Companhia Editora de Pernambuco.  Apresentações de Lourival Holanda e Zeferino Rocha. Inclui os livros (inéditos até então): Livro 1 - Cancioneiro tímido – cordel modernoso; Um jumento e algumas rosas; Livro 2 – Asa, abismo e voo; Livro 3 – Cantos rápidos; Livro 4 – Quase.  Col. A.M. 

 

CANTIGA DO TOMARA

 

As aves voam e as palavras.

Com o tempo, todos voamos.

Voo eu, tu voas, ele

voa. E nos dissipamos.

 

Vamos, vamos e vimos

choramos, rimos, sorrimos.

Sem saber porque nem como,

mal chegamos, e partimos.

 

Como? Por quê? Por onde?

E onde? E quando? E daí?

E o quê? E mais: com quê?

Para quê, se tudo é se?

 

Se tudo é se. Deus quisera,

talvez possa, vamos ver,

tomara, espero, vejamos,

acho que sim, pode ser;

 

se é tudo assim no palpite

na torcida, só com a cara,

sem saber porque nem como,

eu quero voar... Tomara!

 

 

RECEITA DE BOM VIVER

 

Procuro viver a vida.

Viver faz bem à saúde

e faz milagres incríveis.

A vida é coisa divina:

nem a todos acontece:

Exemplo disto: os possíveis.

 

Os possíveis que, coitados,

lá no não-ser da potência

como em lago apodrecido

esperam em vão que às vezes

alguém, por acaso ou escolha,

deles faça um acontecido.

 

A morte, mal incurável,

é o mais natural da vida:

é vida, também, a morte.

Quanto mais vives, mais morres.

Bem só se vive o contrário,

chega-se ao sul pelo norte.

 

Saúde é viver intenso.

(eu quero dizer não-tenso).

Cada momento é um bom vinho.

Com bons médicos convivo,

mas pra viver os dispenso,

que bem sei morrer sozinho.

 

Às vezes vivo depressa

e hoje vivo o amanhã.

Mas logo dou marcha à ré.

Vivo todo ao mesmo tempo:

se vou de avião pra frente,

no agora eu ando a pé.

 

 

Nada será jogado no vazio.

 

 

Nem mesmo o vazio da vida,

          porque é vida.

 

Nem mesmo-o gesto inútil,

          pois-que é gesto.

 

Nem mesmo o que não chegou a realizar-se,
          pois-que é possível.

 

Nem mesmo ainda o que jamais se realizará,
          porque é promessa.

 

E o próprio impossível

          é vontade absurda de existir.

                    E nisso existe.

 

 

O ANJO IMPOSSÍVEL

 

Dorme em mim um anjo impossível,

que Fra Angélico nunca pintaria,

          e Jerônimo Bosch em pesadelo sempre.

 

Tem olhos de leopardo

          e riso de hiena.

 

E um anjo sem asas

          (mas é um anjo)

rosto cor de cinza

          e dentes de vampiro.

 

Quando durmo, ele acorda.

Quando acordo, ele dorme.

 

Sei que um dia acordaremos juntos

          ou dormiremos juntos.

 

E então saberei seu nome.

 

E decifrarei o seu riso

 

Mas será tarde demais

          para uma conversa amiga.

 

 

 

LIMA, Daniel.  Sonetos quase sidos.  Recife: Cepe, 2012.  149 p. 16,5x25 cm.   capa dura e sobrecapa  Ilustração da capa: detalhe de desenho de José Cláudio.   ISBN 978-85-7858-112-1   “ Daniel Lima “ Ex. na bibl. Antonio Miranda

 

 

ALMA SIMULTÂNEA

 

Tenho qualquer idade em qualquer tempo:

velho agora e menino logo adiante;

aqui jovem e depois homem maduro;

às vezes nem nascido, às vezes morto.

 

A idade em mim rebenta impetuosa

não do tempo existido, mas das coisas

que me criam, e também que são criadas

pelo que sou e sinto em face delas.

 

Menino e velho sou, não sucessivo,

mas simultâneo a cada sentimento

- múltipla idade de uma alma múltipla.

 

Às vezes já estou morto há muitos anos,

muito depois e frio; mas às vezes

sinto que vou nascer, sinto-me antes.

 

                                               Recife, 2.5.1952
 

 

Numa árvore qualquer, repousa o pássaro

do leve e largo voo, com que risca,

livre, de asas abertas, ao Infinito,

o espaço, onde distende o frágil corpo.

 

Cada árvore é sua na passagem;

todo galho se estende ao seu descanso.

Mas se é tudo lugar para seu pouso,

para ele somente um ninho existe.

 

No mundo ando também estrada afora,

e em toda presença abrigo encontro,

acho pousada em qualquer parte sempre.

 

Tudo o que existe é árvore que acolhe.

E, como o pássaro, pouso em qualquer parte,

mas sei que existe um Ninho meu, somente.

 

                                                  Recife 29.11.1957

 

 

Da vida o que te resta, e para sempre

— inda que ao mais vivido atinja a morte -,

o que, no solo teu, fundo mergulha,

quais raízes eternas no teu tempo;

 

não são teus mais sublimes pensamentos,

nem mesmo os ideais por que sofreste,

nem derramado sangue, em heróico gesto,

de, te perdendo todo, te encontrares.

 

O que da vida fica, e para sempre

e que não passa nunca, inda que passes,

é o que de frágil nela construíste;

 

são teus sonhos que nunca consumaste,

as pequeninas coisas, tão fugazes,

que nem sabes, talvez, quanto as quiseste.

 

Recife, 30.4.1946

 

 

Página publicada em maio de 2013, página ampliada e republicada em agosto de 2014

 


 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar