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MARIA DE LOURDES COSTA DIAS REIS

MARIA DE LOURDES COSTA DIAS REIS

 

Maria de Lourdes Costa Dias Reis, é mineira de Belo Horizonte, estudiosa e pesquisadora dos aspectos culturais do seu Estado. É professora de História, jornalista, escritora e folclorista.

 

Colaboradora de vários jornais, é autora de sete livros, um deles, premiado pela União Brasileira de Escritores. É membro efetivo da Comissão Mineira de Folclore onde realiza estudos ligados à cultura mineira. Neste "Minhas Gerais", revela, através da poesia, todo seu entusiasmo pelas coisas mineiras.

 

De
Maria de Lourdes Costa Dias Reis
MINHAS GERAIS 
5a. edição. Belo Horizonte: Plurarts, 2009.    65 p.

 

 

SERTÃO MINEIRO

 

Este cerrado coberto de matos,

árvores retorcidas, enrugadas,

de poucas folhas e de muitos troncos.

São meus jatobás e meus araticuns,

meus araçás e minhas gabirobas.

Tudo isto meu sertão mineiro,

terra rude, cheirando a mato.

Terra de sol quente,

em tempo de rebentação,

em forma de energia e vibração.

Sertão de terra mineira,

onde me entrego, inteira,

terra, chão, mato e poeira,

encontro com minhas raízes.

 

CONFISSÃO DE INCONFIDENTE

 

Sou o elo entre o presente e o passado,

         sou o sonho entremeado

entre o divagar e o pensar,

         entre o estático e o volátil.
A canção muda que se faz ouvir

         e as melodias que não vão cantar.

Sou a ponta da corda da cisterna .

         que se deixa escapar

e, quando se quer tomar,

         o tempo já levou pra trás.

Sou o elo entre o ontem e o hoje,

         entre a verdade e a mentira,

entre o ritmo e o descompasso,

         entre o som e o barulho.

Sou nada, nada,

         sem reta nem direção.

Sou o ontem que restou de tudo,

         sou o hoje que sobrou do nada!

 

 

SERRO FRIO

 

Nestas bandas diamantinas,

nos outeiros incrustados

no meio da serrana,

fui procurar e encontrei

um presépio escondido,

Serro Frio, Serro Frio.

 

Casinhas bem delicadas,

em ruas de pedregulhos

tão difíceis de pisar

que machucam ao andar

os pés finos das donzelas

ou recebem as botinas

tão sonoras, nas pisadas,

dos machos deste lugar.

 

Página publicada em agosto de 2010


 

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