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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BELMIRO BRAGA

Belmiro Ferreira Braga (Belmiro Braga, então Vargem Grande, 7 de janeiro de 1872 — 31 de março de 1937) foi um poeta brasileiro. Membro da Academia Mineira de Letras. Em sua homenagem, seu local de nascimento recebeu seu nome após ser elevado à categoria de município, passando a ser chamado Belmiro Braga.

 

TEXTO EN ITALIANO

 

CARTÃO POSTAL  da Editora Guararapes EGM, do poeta Edson Guedes de Morais.

 

OLHANDO O RIO

          A Alencar Duarte

Nas noites claras de luar, costumo
ir das águas ouvir o vão lamento;
e, após o ouvi-las, cauteloso e atento
que o rio também sofre, eis que presumo.

Nesse que leva tortuoso rumo,
que fado triste e por demais cruento:
Vai deslizando agora doce e lento
e agora desce encachoeirado e a prumo.

O dorso aqui lhe encrespa leve brisa,
ali o deslizar calhau lhe veda;
além, de novo, sem fragor,  desliza...

És como o rio, coração tristonho:
Se ele vive a chorar de queda em queda,
vives tu a gemer de sonho em sonho.

          De Montezinas (Primeiros versos). 1902.

NOSSA VIDA É UMA BALANÇA...

Nossa vida é uma balança
Com duas conchas iguais:
Numa a alegria descansa,
Noutra descansam os ais.

Como são afortunadas
As almas que podem ter
Nas conchas equilibradas
Igual dor, igual prazer.

Minhas conchas em porfia
Não se equilibram jamais:
Sempre a dos risos vazia
E sempre cheia a dos ais.


RESPOSTA À NOTÍCIA DE UM
   CONTRATO DE CASAMENTO

À notícia bato palmas
E mando um conselho aos dois:
Primeiro casem as almas
E os corpos casem depois,

Que eu tenho os olhos cansados
De ver (uma mil talvez)
Dentro de corpos casados
Almas em plena viuvez.

          De Rosas. 3ª. ed. 1917. 

 

  De
Belmiro Braga

TARDE FLORIDA
 Juiz de Fora: Officinas Graphicas Luz, 1923.  s.p.

 

RETROSPECTO

Cincoenta annos já fiz, e não fiz nada
neste meus longos cincoenta annos, feitos
de pesares, de angustias, de despeitos,
a boca sorridente e a alma enlutada.

A estrada do Dever foi minha estrada,
da Virtude segui os sãos preceitos,
e nem honras, nem glorias, nem proveitos
encontro ao fim da aspérrima jornada...

Vivi sonhando com manhãs radiosas,
com bosques verdes, passaros e ninhos,
e deu-me a vida noites tormentosas,

e deu-me campos mortos e maninhos...
Cincoenta annos vivi semeando rosas,
cincoenta annos vivi colhendo espinhos...

Janeiro de 1922


A MULHER

Ella, dos 15 aos 20, nos enleia,
dos 20 aos 25, nos encanta,
dos 25 aos 30, não ha feia
e, dos 30 aos 40, não ha santa.

Dos 40 aos 50, ainda é sereia,
dos 50 aos 60, desencanta:
— Se for solteira — o proprio céo odeia,
se casada — de nada mais se espanta.

Dos 60 aos 70, não descrevo;
embora guarde n´alma um doce enlevo,
traz nos olhos da magua o espesso véo...

Seja avó, seja tia ou seja sogra,
toda velhinha meus carinhos logra
por lembrar minha Mãe que está no céo...


DE PARNY

Amar... Aos olhos da gente,
a propria escarpa é florida:
— De sonhos tece-se a vida,
que a vida é um sonho innocente...

Depois de amar...  Quem resiste
á magua dos nossos olhos,
vendo em tudo urzes e abrolhos?...

Se a propria alegria é triste...

 

De
Belmiro Braga
CONTAS DO MEU ROSÁRIO
Rio de Janeiro: Companhia de Seguros de Vida
 “Cruzeiro do Sul”, 1918.    243 p.

[conservamos a ortografia original]

 

II

 

         (A meu irmão Solano Braga).

 

Nesta em que vivo — triste soledade,

os olhos rasos d'agua, o peito em ancia,

recordo-me com magua e com saudade

da quadra tão feliz da minha infancia.

 

E entre o viver de agora e essa áurea edade,

que triste, que cruel, que atroz distancia!

E a manhã, que se foi, voltar nao ha de

impregnada de tepida fragancia...

 

Serras virentes que não mais transponho,

na retina fiel ainda eu vos tenho

e revejo, através de um brando sonho,

 

a casa onde nasci, as mansas rezes,

a varzea, a horta, o laranjal, o engenho ,

e a cruz onde eu rezava tantas vezes...

 

 

III

 

         (A meu irmão A. Ferreira Braga).

 

Volto de novo ao lar paterno, e vejo

amados sitios que transpuz outr'ora

e por onde, a cantar, estrada em fóra,

ia livre de magua e de desejo.

 

Mudos e tristes como estão agora!

Nem urna flor a abrir, nem um adejo

alegrando o meu triste logarejo

— deserta estancia onde a Tristeza mora.

 

Não passa mais ninguem pelos caminhos,

ñas quietas moitas nao baloicam ninhos,

nem aves cantam pelos campos mais...

 

........................................................

— Dorido coracao, nao soffras tanto!

Abre os diques tristissimos do pranto

e inunda o espaço immenso com teus ais...

 

 

 

 

 Belmiro Belarmino de Barros Braga – poesia satírica – poesia humorística

  

BELMIRO BELARMINO DE BARROS BRAGA, ou seja BELMIRO BRAGA, o admiravel trovador mineiro, nascido em Vargem Grande, dava-se, com brilhantismo invulqor, ao gôsto de fazer epigramas.

 

Vindo ao Rio, publicou numa revista esta

 

CONTRARIEDADE

 

- A um certo cinema fui
e
me assentei junto ao Rui.

 

E a sua cabeça - um mundo
de tanto saber profundo _

não me deixou ver o rosto

do meu amor... Que desgôsto!

 

Amo ao grande Rui com ânsia,
mas naquela circunstância ...
Que nunca tal me aconteça!
Porque a verdade
é verdade :

eu cheguei a ter vontade

de ver o Rui... sem cabeça ...

 

Num momento de decepção ocasionada por algum amigo BELMIRO dirigiu-se ao seu Terra·Nova Príncipe estas duas famosas quadras:

 

_ Pela estrada da vida subi morros,
desci ladeiras
e, afinal, te digo:

se entre os amigos encontrei cachorros,
entre os cachorros encontrei-te, amigo!

 

Para insultar alguém, hoje recorro
a novos nomes feios, porque vi

que elogio a quem chame de cachorro,
depois que êste cachorro conheci,

 

Indo, em vilegiatura, a uma das cidades das margens do Paraibuna, BELMIRO viu-se constantemente assediado por um literatelho com fumaças de orador.

 

     De regresso, fotografou-o:

 

_ Um certo orador maçante,
das margens do Paraibuna,

ao falar, de instante a instante,
vae esmurrando a tribuna,

E quem o conhece, sente,

por mais ingênuo e simplório,
que os murros são simplesmente
para acordar
o auditório.

 

    Vindas de Juiz de Fóra, onde viveu e morreu BELMIRO, as suas trovas chegavam ao Rio e lógo se espalhavam Brasil à fora.

 

     Eis algumas:

 

_ Vi teus braços", que ventura!
teu cólo... as pernas... que gôsto!
Agóra, tira a pintura,

que eu quero ver o teu rosto.

_ Noite de núpcias, O Gama
encontra a espósa envolvida
num lindo roupão e exclama:
_ Posso, enfim, vêr-te vestida!

 

_ Mui decentes eu não acho
teus vestidos, minha prima:
são altos demais em baixo,
são baixos demais em cima!

 

_ A beleza não te atrái?
Só te casas por dinheiro?
Tú pensas como teu pai,

que morreu velho e... solteiro,

 


A MULHER NA POESIA DO BRASIL. Coletânea organizada por Da Costa Santos.  Belo Horizonte, MG: Edições “Mantiqueira”, 1948.  291 p.  14x18 cm.  Capa de Delfino Filho.  “ Da Costa Santos “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

                              QUANDO A MULHER QUER


                
Quando a mulher quer, eu acho
                 Que nem Deus a desanima...
                 É água de morro abaixo,
                 É fogo de morro acima.

 

 

 

TEXTO EN ITALIANO

 

Extraído de

MIRAGLIA, TolentinoPiccola Antologia poetica brasiliana.  Versioni.  São Paulo: Livraria Nobel, 1955.  164 p.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

AD UNA MONACA

 

Tu vivi l'anno intiero incarcerata,
Come se avessi un crimine commesso,
E il gran dolor, nell’animo ripresso,
Al cielo lo confessi timorata.

 

Pregando, giorno e notte, inginocchiata,
Con triste accento dal cordoglio impresso,
Di chi s'accusa e soffre da sè stesso,
Tu, vergine, fanciulla immacolata !

 

Lascia per brevi istanti la tranquilla

Clausura, e guarda che è tutta fiorita

La campagna e la messe il campo inclora.

 

Apri il balcone, vieni, il sole bulia,

E il sole la vita è, piú che la vita :

È il Dio l'amor che non conosci ancora  !

 

 

 

Página publicada em novembro de 2010; ampliada e republicada em junho de 2011, ampliada e republicada em agosto de 2014. Ampliada em janeiro de 2015.


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