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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

SÔNIA FERREIRA

 

Poetisa, cronista, ensaísta, animadora cultural. Filha do folclorista e animador cultural Joaquim Luiz Ferreira, e da artesã Leolina Gonzaga Ferreira, nasceu na Fazenda Samambaia, Orizona/GO. Diplomada em Línguas Neolatinas e em Orientação Educacional, com Mestrado em Educação. Especialista em Dinâmica de Grupos Comunitários e em Psicometria. Professora Universitária, Jornalista, Consultora em Educação e Cultura, Pesquisadora.

Pertence á UBE/GO, ao Instituto Histórico e Geográfico/GO, á Associação Goiana de Imprensa, ás Academias de Letras, Ciências e Artes de Trindade/GO, de Caldas Novas/GO, de Orizona/GO, á Associação Nacional de Escritores/DF. Integra o Grupo de Cultura Popular João-de-barro e a Comissão Goiana do Folclore. É Presidente e fundadora do Centro de Cultura da Região Centro-Oeste / CECULCO. Atuou nos seguintes órgãos de comunicação: Jornal Atual-GO; Jornal do Consumidor-GO; TV Goiás Rural; Programa de TV “ Brasília Urgente”-DF. Dentre outras homenagens, recebeu o Prêmio Bolsa de Publicação Zequinha da Costa/GO. Como presidente do CECULCO, criou os seguintes Troféus: Índio Brasileiro, Pedra da Terra, Serenata. Dentre as dez  publicações brasileiras, verbetes e antologias de que faz parte, destaca-se Poesia no Brasil, 2005, org. por Ademir A. Bacca, RS. 

Obra poética: Janelas de Campo Formoso,1991; Bucólica, 1991; Licores de Outros Quintais, 2001; Compotas de Poesias e Caldas,2005;Chuva de   Poesias, Cores e Notas no Brasil Central, 2005/2006 (1.a e 2.a edições ); Labaredas do Fogão -  poemas e panelas (inédito); Dinâmica do Potencial Criador nas Escolas (inédito); Ação Pedagógica para Áreas Rurais (Tese de Mestrado).

 

Sem violentar a ordem enunciada, pode-se dizer que as janelas desse livro [referindo-se a Licores de outros quintais] estão organizadas em pares que se opõem: as que se abrem para fora (rua e quintal) e as que se abrem para dentro (amor e vida), separadas pelas que abrem para a natureza. Creio que é por essas janelas, que estão no centro da série, que a poetisa vê o seu mundo, levada pela alegria de mostrá-lo e, no fundo, por um desejo utópico de evasão.” Gilberto Mendonça Telles

Se em alguns poemas há denúncia social, ela o faz com dignidade, com brilho, sem cair nos chavões costumeiros. Suas janelas se abrem para restaurar, reconstruir o ser humano, dignificar a vida.”  Aldair Silveira Aires


 

CORAÇÃO DE CHOCOLATE

 

Pele de jambo

flambada,

ao conhaque

e às labaredas.

Fios de

Algodão doce

nos cabelos,

ao sereno

malandrinho

da lua nova.

 

Treliça firme

de dedos,

pirulitos

de caramelos,

expressão melosa

de afeição.

Olhar de mostarda,

sorriso de ketchup,

nobreza de pérola

nos dentes.

Beijinho doce,

suspiro de

açúcar refinado,

clara de neve

e sumo de limão.

Água de coco,

em olhos

picantes,

derretendo

meu

coração

de chocolate.

 

 

Extraído de COMPOTAS DE POESIA E CALDAS. Brasília: Projecto Editorial/ Livraria Suspensa, 2005.  161 p. ilus. Col. Publicado com o apoio do FAC/SC-DF

 

 

LICOR

 

Um,

dois,

três

pedaços

de cravo.

         Cinco

         favos

         de ternura.

                   Seis

pauzinhos

de canela,

com brilho

de uma

estrela.

         Oito

         cantadores

         à janela.

                   Muitas

cordas

                   de viola.

                            No copo,

                            no peito,

                            uma chama

                            amarela.

 

Itumbiara- GO

 

Extraído de LICORES DE OUTROS QUINTAIS.  Goiânia: Edições consorciadas UBE/GO, 2001.

 

 

LADAINHA

 

Asas de borboletas

— dêem-me a leveza do vôo

Sereno das manhãs

— dêem-me a força do sol

Brisa dos campos

— ensina-me a conviver com as tardes

Laranjais brancos de flor

— quero colorir os quintais

Pipoqueiro de chapéu de palha

— plante vida nos olhos

Sinos da capelinha

— permitam-me anunciar o amor

Cigarra da primavera

— quero morrer de cantar

Mãos do lavrador

— façam-me semente no chão!

 

 

         Extraídos de JANELAS DE CAMPO FORMOSO.  Brasília: Thesaurus, 1991. 

 

 

 

ASAS DE BEIJA-FLOR

 

Serelepe sorridente buliçosa

ela chegou de repente

e começou a cantar

contou histórias gaiatas

contou taturanas pintadas

contou tentos no tempo

e fez previsão de futuro

Amou o passado

amor de filha amor de amante

amor de gente. Cochichou

aos ouvidos da história

Fez cócegas em S. Francisco

Puxou o manto dominicano

E pediu perdão pro Senhor

Brincou. Brincou com águas azuis

com força de lua nova

Ficou debaixo da choça

Bebeu pinga com limão

Dividiu o chá da alegria

deu receita de graça

e saboreou um raio de sol

Encontrou-se com a lua

Sem medo do galope épico

do lírico São Jorge

Participou de serenata

Montou na garupa do Santo

e começou a correr

passou por muitas primaveras

abraçou cada folha de outono

absorveu todas coares do inverno

suou suor de povo

molhou-se toda de azul

no orvalho de muitas manhãs

Vestiu avental. Fez comidinha

Mimou criança de colo

E se tornou berço do mundo

Fiou aconchego de algodão

Lavou roupa na bica

Rezou muitas ave-marias

e moeu muito café

teceu colcha de risada

— Tem jeito de menina

asas de beija-flor

e açúcar de manuê...

— Ainda não sabem quem é?

 

 

Extraído de BUCÓLICA.  Goiânia: Edições Consorciadas Ube- Goiás, 1991.

 

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FERREIRA, Sônia.  Encantamento.  Brasília: Ler Editora; FAC, 2011.  190 p. Ilustrações de
             Amaury Menezes.  ISBN978-85-64898-03-8 

 

TÃO Aí

 

Tão aí os artísticos

favos da

laranja fétida.

 

Tão aí as sinuosas

das andorinhas

em voo, unidas.

 

Tão aí

os peixes

no aquário,

        contemplados.

 

 

Tão aí

os rebentos

da semente,

                 germinados.

 

 

 

O UNIVERSO POÉTICO DE SÔNIA FERREIRA

 

António Miranda

 

 

Íamos de carro pela Avenida L-2 Sul de Brasília, no entardecer. Sônia estava em estado de encantamento com a luz e a profundidade da alameda de copas das árvores. Compartilhamos a admiração pelos horizontes planaltinos da cidade. Ela é goiana, telúrica, intensamente ligada à paisagem e à vida, em que reverbera com emoção e admiração. Não é pose. É um estado de espírito, uma alegria permanente. Sentimento religioso, sentido de solidariedade. Vive em três cidades que são cenários de sua múltipla atividade de escritora e de vida social. Vem de Orizona, onde transformou a casa da família num centro cultural, passa temporadas em Goiânia onde se dedica à promoção cultural, e boa parte do tempo em Brasília, no convívio com amigos da Associação Nacional de Escritores. Sempre projetando atividades e publicações que promovem a literatura de sua região, de forma generosa e competente.

E é poeta. Uma poesia da terra, da vida, da emoção mais legítima. É difícil ser simples, é difícil ser autêntico. Sônia é simples e autêntica, ela escapa da sofisticação sem resvalar na banalidade. Cria iluminuras, situações delicadas, descreve cenários do quotidiano sem ser coloquial, com inteligência e sutileza. Sem afetação e pieguismo. Gilberto Mendonça Teles já se ocupou de sua poesia em prefácio. Jorge Fernandes tem-na como amiga e parceira em eventos e conversas com amigos da literatura, num círculo criativo que dá vida a um processo solidário. Este é o universo de Sônia que é o universo também de sua poesia, numa simbiose de vida e literatura, em tempo integral. Vem do berço. Seu pai, folclorista; a mãe, artesã, dedicados ao fazer artístico e ao estudo da arte popular.

 

 

 

 

 




 

 

 

 
 
 
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