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GUILHERME KUBISZESKI

                

GUILHERME KUBISZESKI

 

 

Guilherme de Freitas Kubiszeski, poeta heterodoxo. Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) e mestrado em Filosofia pela Universidade de Brasília. De 2014 a 2017, atuou como professor de educação básica da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Atualmente, é técnico em assuntos educacionais no Instituto Federal de Brasília.

 

Informações coletadas do Lattes em 28/12/2017

 

 

 

Maria

 

Num sonho vinhas tu divinizada

À luz sacramental dos áureos círios.

Ornavam-te crisântemos e lírios

Colhidos numa terra abandonada.

Percorreste os angélicos empíreos

Atravessando a azul e etérea estrada.

Trazias sobre a face abençoada

As lágrimas da senda dos martírios.

Vinhas entre os incensos das esferas,

Aquebrantando as mágoas e as quimeras,

A serpe do pecado destruindo.

Mas teu olhar continha a grande Dor,

O Símbolo do ascético estertor,

O sacrossanto Sofrimento infindo.

 

 

 

A Flor

 

Ó flor impura, flor ensanguentada

Das cabalas abscônditas, sombrias...

Ó flor secreta das feitiçarias

Nos símbolos pagãos assinalada.

Flor rubra de dolência e de pecado,

Flor sibarita de luxúria e gozo...

Flor egípcia do absinto perfumoso,

Na solidão de um templo abandonado.

Flor acídula, obscena, flor narcótica,

Flor dos vapores do ópio oriental...

Flor do langor, do vício, flor do mal,

Flor babilônica, profana, exótica.

Flor abissal da seiva venenosa,

Dos licores letais da Natureza...

Flor trágica de morte e de torpeza,

Flor sinistra, bizarra, criminosa.

Primogênita filha dos Satãs,

Dos diabos caprinos indolentes...

Rebento dos demônios inclementes,

Dos súcubos, das Lílites mais vãs.

Flor sicofanta, flor traiçoeira

Das prostituições, das vaidades...

Flor infernal de trevas e maldades,

Adorno de uma frígida caveira.

Flor mística da humana escuridão,

Flor das carências, flor dos desesperos...

Flor mágica dos túrbidos esmeros,

Ofício de uma estética visão.

Lótus dos hermetismos ancentrais

Nos pântanos, nos húmus repugnantes...

Flor dos laivos, das ganas lancinantes,

Deusa dos astrológicos sinais.

Flor maldita dos báratros, dos limbos,

Dos Hades, dos sheóis e das geenas...

Flor lasciva das Evas, das Helenas,

Ornada com os ilusórios nimbos.

Egrégio diadema do deus Pã

Nos êxtases orgíacos da lua...

Ninfa dos bosques, orvalhada e nua,

Serva das Asserás de Canaã.

Invoco a flor carnal dos negros vinhos

Nas furnas viscerais dos meus anseios...

Invoco a flor de mágoas e de enleios

Com suas pétalas e seus espinhos.

 

 

 

Soneto a Arthur Schopenhauer

 

No afã de dissecar o ser que sou

Com o bisturi transcendental kantista,

Congrego um misticismo de budista

E a tenebrosidade de Allan Poe.

 

Descrevo o transe estético do artista

Que da Vontade cega se esquivou

E glorifico o asceta que adentrou

A paz inconsciente do protista.

 

Busco o silêncio da paisagem erma

Para não me perder como um palerma

No infausto labirinto da ânsia humana.

 

E visto que detesto a própria vida,

Escarro na avidez indefinida

E atinjo na abstração o meu Nirvana!

 

 

 

O Cadáver

 

Cobria a noite os mais funestos rastros.

O vento, sibilante e furibundo,

Trazia uma mensagem do submundo,

Em tudo pondo gélidos emplastros.

 

A noite repugnava até aos astros.

De um cadáver o cheiro nauseabundo

Empesteava totalmente o mundo

Gerando contorções nos epigastros.

 

Levanto-me da cama, acendo a luz.

No chão, a mácula de sangue e pus

Me faz pensar: 'staria o morto aqui?

 

Pego a foto de quando era criança

E vejo que o cadáver é a esperança

Que nunca mais no peito revivi!

 

 

Página publicada em janeiro de 2018


 

 

 
 
 
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