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CAIO PORFIRIO CARNEIRO
Caio Porfírio de Castro Carneiro (Fortaleza, 1º de julho de 1928 - São Paulo, 17 de julho de 2017) foi um escritor brasileiro com destaque no gênero contos. Vencedor do Prêmio Jabuti em sua 17a Edição. Sua estréia no gênero deu-se em 1961, com Trapiá, livro indicado para o vestibular 2009. da Universidade Federal do Ceará (UFC), instituição da qual foi professor.
Nasceu no dia 1º de julho de 1928 na cidade de Fortaleza, no Ceará. Escrevia, desde muito jovem, poesias de pé quebrado e crônicas. Após terminar o colegial, conseguiu um emprego como revisor de jornal, no qual teve chance de ser promovido para a redação. Em 1955, mudou-se para São Paulo. Em 1963, assumiu a posição de secretário administrativo da União Brasileira de Escritores de São Paulo. Ganhou vários prêmios literários, como o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Seus contos estão incluídos em dezenas de antologias do gênero e foram traduzidos para o espanhol, italiano, alemão e inglês.
Morreu na manhã da segunda-feira, dia 17 de julho de 2017, com 89 anos.
REVISTA DE LITERATURA BRASILEIRA – LB 34 – São Paulo, SP: 2004. Direção: Aluysio Mendonça Sampaio. Ex. bibl. Antonio Miranda
FORTALEZA
De ti, o que dizer, Fortaleza?
O que dirão as palavras?
Nulas são.
Abri os olhos no teu seio
Que acolheu o meu primeiro choro.
De ti, o que dizer, Fortaleza?
Tu te integraste à minh'alma
Es essência de mim mesmo.
O silêncio dirá tudo.
Então, Fortaleza, para que palavras
Se iríamos falar de nós mesmos?
Todos cantam sua terra...
Como vou cantar a minha
Se eu cantaria a canção eterna
Que vive dentro de mim?
SP, 04/12/2002.
LITERATURA Revista do Escritor Brasileiro. No. 7. Dezembro 1994. Publicação semestral da Editora Códice. Brasília, DF. Editores: Nilto Maciel, Emanuel Medeiros Vieira e João Carlos Taveira. Capa: Guitarista canhoto solando o “Concerto de Aranjuez” de Jorge Otávio. ISSN 1518-5109 Ex. bibl. de Antonio Miranda
FORTALEZA
De ti, o que dizer, Fortaleza?
O que valem as palavras?
Tão nulas.
Abri os olhos no teu seio,
que acolheu o meu suspiro.
Dizer o que de ti,
se te integraste à minh´alma,
és essência de mim mesmo?
Trocaríamos palavras nulas.
O silêncio é a solução.
Todos cantam sua terra...
Como vou cantar a minha
se eu cantaria a canção eterna
que vive dentro de mim?
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Página ampliada e republicada em novembro de 2023
Página publicada em setembro de 2019
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