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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pintura de 1780 por Franz Joseph Pitschmann

MARQUESA DE ALORNA

(1750-1839)

 

Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (São Jorge de Arroios, Lisboa, 31 de outubro de 1750 — Coração de Jesus, Lisboa, 11 de outubro de 1839) foi uma nobre e poetisa portuguesa.

Conhecida como "Alcipe", era filha de D. João de Almeida Portugal, conde de Assumar. Morreu na mansão do neto, veador honorário da Fazenda (Finanças) da Casa Real, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto, Marquês de Fronteira. (...)

D. Leonor, aquando da sua morte, somava os título de Donatária de Assumar (6ª), condessa de Assumar (7ª), Marquesa de Alorna (4ª) - sucedendo ao irmão, o terceiro Marquês de Alorna e quinto Conde de Assumar, D. Pedro, devido ao seu falecimento em 1813, nos títulos a 26 de Outubro de 1823, Morgada de Vale de Nabais (5ª), Dama das Ordens de Santa Isabel de Portugal e da Cruz Estrelada da Áustria, Comendadora da Ordem de São João de Jerusalém, Dama de honra de D. Carlota Joaquina, da Sereníssima Regente Infanta D. Isabel Maria de Bragança e da Rainha D. Maria II de Portugal. Foi, na Áustria, Condessa de Oyenhausen-Granvensburg.

As obras da Marquesa de Alorna publicadas depois da sua morte são:

«Obras poeticas de D. Leonor d'Almeida, etc., conhecida entre os poetas portugueses pelo nome de Alcippe». Lisboa, 1844, com o retrato da autora. Seis volumes.

Tomo I: Noticia biographica da marqueza, seguida de outra noticia historica de seu esposo e conde de Oeynhausen; Poesias compostas no mosteiro de Chellas; Poesias escriptas depois da sa­hida do mosteiro de Chellas.

Tomo II: Continuação das poesias lyricas, escriptas depois da sahida do mosteiro de Chellas.

Tomo III: A primavera, tradução livre do poema das Estações de Thompson; os primeiros seis cantos do Oberon, poema de Wieland, traduzidos do alemão; Darthula, poema traduzido de Ossian; tradução de uma parte do livro I da llliada em oitava rima.

Tomo IV: Recreações botanicas, poema original em seis cantos; O Cemiterio d'aldeia, elegia, imi­tada de Gray; O Eremita, balada imitada de Goldsmith; Ode, imitada de Fulvio Testi; Ode de Lamartine a Filinto Elysio, traduzida; Epistola a lord Byron, imitação da 2ª meditação de Lamartine; imitação da 28ª meditação do mesmo poeta, intitulada: Deus.

Tomo V: Poetica de Horacio, traduzida com o texto; Ensaio sobre a critIca, de Pope com o texto; O rapto de Proser­pina, poema de Claudiano em quatro livros com o texto.

Tomo VI: Paraphrase dos cento e cinquenta salmos que compõem o Psalterio, em várias espécies de ritmo seguida da paráfrase do varino cânticos bíblicos e hinos da igreja. Parece que a paráfrase dos salmos não fora feita sobre a vulgata, mas sim sobre a versão italiana de Xavier Matthei. Uma parte do Psalterio já fôra publicada em vida da autora, num volume de 4º, impresso em Lisboa, em 1833. A outra parte saíra também anteriormente com o título: Paraphrase e varios psalmos, Lisboa, 1817; também haviam sido impressas em Londres em 8º gr. as traduções da Poetica de Horacio, e do Ensaio sobre a critica, de Pope.

Também foi publicada ainda em vida da autora: De Buonaparte e dos Bourbons; e da necessidade de nos unirmos aos nossos legitimos principes, para a felicidade da França e da Europa: por F. A. de Chateaubriand. Traduzido em linguagem por uma senhora portu­gueza, Londres, 1814;

Ensaio sobre a indifferença em materia de religião: trad. de Lamennais, Lisboa, 1820, 2 tomos;

Estudo biographico- critico, a respeito da litteratura portugueza, de Romero Ortiz, de pag. 61 a 96, que saíra também na Revista de España, tomo IX;

Elegia à morte de S. A. R. o principe do Brazil O sr. D. José, Lisboa. 1788.

Fonte (resumida): https://pt.wikipedia.org/wiki/Leonor_de_Almeida_Portugal

 

                    CIUMES

Cruel amor, tu que sabes
Rasgar com flechas meu peito,
Tira a venda dos teus olhos,
Põe-na sobre os meus com jeito.

Deixa-me ver a figura
De Armínio continuamente,
Mas cega-me logo, apenas
Armínio for delinquente.

Quando pintado em seu rosto
Triunfa o doce prazer,
Quando me aperta em seus braços,
Brando Amor, deixa-me ver.

Mas se à vista de outro objeto
Acaso o deleite esfria,
De que me serve ter olhos?
Apaga-me a luz do dia!

Não é de maiores luzes
Que a minha alma necessita;
Não quer o saber por quê
Quando vê Sílvia se agita.

De que serve o ver pintada
No seu rosto a inquietação,
Se chega o Correio ou parte?
Aperta-me a venda então!

Sem esta cautela, Amor,
Nulos os prazeres são;
Creio pouco nos sentidos
Se me foge o coração.

 

SONHO

Perdoa, Amor, se não quero
Aceitar novo grilhão;
Quando quebraste o primeiro,
Quebraste-me o coração.

Olha, Amor, tem dó de mim!
Repara nos teus estragos,
E desvia por piedade
Teus sedutores afagos!

Tu de dia não me assustas;
Os meus sentidos atentos
Opõem aos teus artifícios
Mil pesares, mil tormentos.

Mas, cruel, por que me assaltas,
De mil sonhos rodeado?
Por que acometes no sono
Meu coração descuidado?

Eu, quando acaso adormeço,
Adonmeço de cansada,
E o crepúsculo do dia
Me acorda sobressaltada.

Arguo então a minha alma,
Repreendo a natureza
De ter cedido ao descanso
Tempo que devo à tristeza.

Que te importa um ser tão triste? ...
Cobre de jasmins e rosas
Outras amantes felizes!
Deixa gemer as saudosas!

 

RETRATAR A TRISTEZA...

Retratar a tristeza em vão procura
quem na vida um só pesar não sente,
porque sempre vestígios de contente
hão de surgir por baixo da pintura;

Porém eu, infeliz, que a desventura
o mínimo prazer me não consente,
em dizendo o que sinto, a mim somente
parece que compete esta figura.

Sinto o bárbaro efeito das mudanças,
dos pesares o mais cruel pesar,
sinto do que perdi tristes lembranças;

Condenam-me a chorar, e a não chorar,
sinto a perda total das esperanças,
e sinto-me morrer sem acabar.

 

O PIRILAMPO E O SAPO

Lustroso um astro volante
rompeu das humildes relavas:
com seu voo rutilante
alegrava à noite as selvas.

Mas de vizinho terreno
saiu de uma cova um sapo,
e despediu-lhe um sopapo
que o ensopou de veneno.

Ao morrer, exclama o triste:
“Que tens tu de que acuses?
Que crime em meu seio existe?
“Respondeu-lhe: “Porque luzes!”

 

O LEÃO E A RAPOSA

“Meu senhor (disse a raposa,
falando um dia ao leão),
eu não sou mexeriqueira,
mas calar-me é sem razão.

Sabe que mais? Anda o burro
aqui por toda a cidade
a dizer mil insolências
contra Vossa Majestade.

Ele diz que não percebe
como lhe acham talentos,
em que consiste a grandeza
desses seus merecimentos.

Diz que seu valor é força,
e que é pouca habilidade
quando vence facilmente
ostentar heroicidade”.

Calou-se um pouco o leão,
e depois, sorrindo, disse:
“Qu’importa o que diz um asno?
Enfadar-me é parvoíce”.

 

 

 

Página publicada em outubro de 2015. Ampliada em maio de 2016.

 

 


 

 

 
 
 
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