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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

JORGE DE AGUIAR

 


Nasceu em Lisboa, em data desconhecida, tendo por pais a Pedro de Aguiar e a Mécia de Sequeira. Foi Cavaleiro da Ordem Militar de São Tiago da Espada, e Alcaide-Mor da Vila de Monforte. Sua mãe foi ama da princesa D. Joana, filha do rei Afonso V. Jorge de Aguiar casou-se  com D. Violante de Vasconcelos, não deixando prole. Nomeado capitão de uma armada que navegava para a India, faleceu em viagem no ano de 1508. A respeito dos seus versos, escreveu o critico português: Rodrigues Lapa: "Nestoutra, de Jorge de Aguiar, ha mais Fantasia e mais graça — que caracterizam a obra deste poeta, mas a ínspiração não jorra menos límpida: é a pintura mais perfeita duma recaída de amor." (Lições de Literatura Portuguesa, 2.0edição, Coimbra, 1942). A cantiga de Jorge de Aguiar, aqui publicada, figura no Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende, aparecido em 1.516.

 

 

 

CORAÇAM, JÁ REPOUSAVAS

 

Coraçam, já repousavas,

já não tinhas sojeiçam,

já vivias, já folgavas,

pois porque te sogigavas *

outra vez, meu coraçam?

Sofre, pois te nam sofreste

na vida que já vivias;

sofre, pois te tu perdeste,

sofre, pois nam conheceste

como t' outra vez perdias.

Sofre, pois já livre estavas

equiseste sojeiçam,

sofre, pois te nam lembravas

das dores de qu'escapavas:

sofre, sofre, coraçaml!


*Subjugavas.

 

 

Coraçam já repousavas,
Já não tinhas sujeiçam,
Já vivias, já folgavas;
Pois porque te sojigavas
Outra vez, meu coraçam?
Sofre, pois te não sofreste
Na vida que já vivias;
Sofre, pois te tu perdeste,
Sofre, pois não conheceste
Como te outra vez perdias;
Sofre, pois já livre estavas
E quiseste sujeiçam;
Sofre, pois te não lembravas
Das dores de que escapavas:
Sofre, sofre, coraçam!

            (Cancioneiro Geral, 1516)

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tapeçaria medieval. Fonte da imagem:
https://marketplace.secondlife.com

 

 

        CANTIGA

 

Esforça, meu coração,
não te mates, se quiseres:
lembre-te que são mulheres.

Lembre-te qu´é por nascer
nenh~ua que não errasse;
lembre-te que seu prazer,
por bondade e merecer,
não vi quem dele gostasse.
Pois não te dês à paixão,
toma prazer, se puderes,:
lembre-te que são mulheres.

Descansa, triste, descansa,
que seus males são vinganças;
tuas lágrima amansa,
leix´as suas esperanças.
Ca, pois nascem sem razão,
nunca por ele lh´e espere:
lembre-te que são mulheres.

Tuas mui grandes firmezas,
tuas grandes perdições,
suas desleais noções
causaram tuas tristezas.
Pois não te mates em vão,
que, quanto mais as quiseres,
verás que são as mulheres.

Que te presta padecer,
que t´aproveita chorar,
pois nunc´outras hão-de ser,
nem s´hão  nunca de mudar?
Deix´-as com sua noção,
seu bem nunca lho esperes:
lembre-te que são mulheres.

Não te mates cruamente
por quem fez tão grande errada,
que quem de si se não sente,
por ti não lhe dará nada.
Vive, lançando pregão,
por tu fores e vieres,
que são mulheres, mulheres!

 

Cabo

Espanha já foi perdida
Por Letabla talvez,
e a Troia destruída
por males qu´Helena fez.
Desabafa, coração,
vive, não te desesperes,
qu´a que fez pecar Adão
foi a mãe destas mulheres.

 

                                  (Cancioneiro Geral, 1516)



 

Página publicada em outubro de 2015

 

 

 
 
 
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