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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA
No Festival de poesia de Goyaz, 2006.
Foto de Juvenildo B. Moreira

AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

 

 

Acompanho a obra deste grande poeta desde a minha (e a dele) juventude, nos idos de 60… Estudioso de Carlos Drummond de Andrade – em estudos acadêmicos – sempre foi independente de todas as tendências da moda, mesmo do seu ídolo e conterrâneo mas exercitou todos os estilos e tendências ao seu alcance, de forma livre. Engajado, erótico, circunstancial, filosófico, valeu-se de todo e qualquer tema com discursividade ou concisão. Ele foi o escolhido para iniciar uma série de publicações bilingües em edição simultânea com a revista ZONA MOEBIUS, de Buenos Aires, Numa seção que (ainda estamos) montando — LUAR, voltada para a divulgação dos mais importantes poetas ibero-americanos contemporâneos.

                                                   Antonio Miranda 

Sylvia Cyntrão e Affonso Romano de Sant´Anna

Sylvia Cyntrão e Affonso Romano de Sant´Anna, homenageado do I Simpósio de Crítica de Poesia, e conferencista principal na abertura da I BIENAL INTERNACIONAL DE POESIS DE BRASÍLIA, dia 3 de setembro de 2008. 

 TEXTOS EM PORTUGUÊS  TEXTOS EN ESPAÑOL

Traducciones de Rafael Ruiz (Argentina)

                                    Veja também: TEXTS EN FRANÇAIS

See also: TEXTS IN PORTUGUESE & ENGLISH

 

Veja também: POEMAS VISUAIS 

e viste a página oficial do autor:

http://www.affonsoromano.com.br/

 

Veja também:

BIBLIOGRAFIA (ABREVIADA) DE AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA (informação do autor – até meados de maio de 2016)

 

SANT´ANNA, Affonso Romano deCanto e palavra.  Belo Horizonte: Edições MP Movimento  Perspectiva, 1965.  168 p.         Capa de Eduardo de Paula.  “ Affonso Romano de Sant´Anna “ Ex. bibl. Antonio Miranda

CORPO: ANATOMIA DO MITO

Ferro e cálcio
amor e calma,
iodo e ódio,
chumbo e dor.

Da cartilagem
ao osso,
do menino
ao moço
foi-se fazendo
a anatomia
desse corpo
— difícil e vária —
pois resume
a anatomia
do mito
e da animália.

O corpo
é meu mito
predileto,
a palavra
que mais uso
e o objeto
mais completo.

Por isto,
domar o corpo,
é seus mitos dominar,
é circunscrever os mitos
onde os mitos
devem estar,
que no corpo é que se instalam
e se fazem alimentar.

Por isto,
que outros corpos
há que sempre conquistar,
pois que um mito
a outro mito
sempre ajuda
a decifrar.

De
Affonso Romano de Sant´Anna
SÍSIFO DESCE A MONTANHA
Rio de Janeiro: Rocco, 2011.  131 p.

 

Affonso Romano de Sant´Anna publica novos livros com certa frequência, renovando-se.  Sua poesia sempre se alimentou de sua atividade intelectual. Crítica literária, estética, pensamento político, poética. Ensaio e crônica. Seus livros de poesia sustentam suas ideias e suas propostas formais, desde o tempo em que estudou a obra de Drummond e os movimentos de vanguarda brasileiros, que acompanhou à distância, contaminando-se, mas nunca aderindo. Poesia social, concretismo, poesia marginal... Nunca vacinou-se contra estas tendências, mas jamais entrou nas fileiras dos ismos de seu tempo. Do filosófico ao amoroso, do erótico ao especulativo.   A.M.

 

CAI  A TARDE SOBRE MEUS OMBROS

Cai a tarde
                  sobre meus ombros
não apenas
                   sobre os Dois Irmãos.

Desaba mais um dia.
Para muitos — de esperança.
Para outros — de humilhação.

Sobre mim
                   desaba a história.
Em algum lugar
disseram que há luz
mas o que vejo
                   — é a escuridão.

 

ALÉM DE MIM

Não é culpa minha
se não estou aparelhado
para entender certos conceitos
e sinais.

Conheço o ódio, o amor, a fome
a ingratidão e a esperança.

(Deus, a eternidade, o átomo e a bactéria
me excedem.)

O que não significa
que os ignore.
Ao contrário:
                   por não compreendê-los
                   finjo estar calmo
                   — e desespero.

Affonso Romano de Sant´Anna
A MORTE DA BALEIA
desenhos de Elisa Villares de Freitas
Rio de Janeiro: Berlendis & Vertecchia Editores, 1981.
s.p.   15.5x22,5 cm

Exemplar desta edição incomum, adquirido via sebo virtual. Sem informação quanto ao número de exemplares. O poema foi escrito em protesto pelo extermínio "oficial" de baleias na região da Paraíba. No sitio oficial do poeta está a informação,:

"Nos anos 70  escrevi o poema A MORTE DA BALEIA. A artista plástica Renina Katz, na USP, fez uma serie de livros artesanais com seus alunos de arte a partir do poema. A editora Berlendis fez uma edição especial do poema. O compositor Cesar Barreto,no Ceará, musicou-o partes dele. Drummond me escreveu cumprimentando pelo poema:

         Este texto está em QUE PAÍS É ESTE?. O poema, dividido em nove partes, começa assim":

Na Paraíba, Nordeste do pais,
Convidam-me a ver a morte da baleia.
Dizem:
   pesca da baleia como se dissessem: jogar tênis
ou qualquer outro esporte

em que o animal

                participasse alegremente.

Dizem: pesca da baleia como se dissessem: ir à missa
onde Cristo morreria impunemente.

Dizem: pesca da baleia como se dissessem: carnaval
onde se brinca eternamente.

O espetáculo dura toda a noite
e quem o assiste não pensa em assassinato.

Pensa:

          Vou como quem vai às compras
— ou algo semelhante, vou visitar parentes
         ou ver filme interessante,

Ninguém  diz: vou ao enterro da baleia
         —que em mim mato e morre a cada instante.

 

===========================================================================

SANT´ANNA, Affonso Romano deA Grande fala do índio guarani perdido na história e outras derrotas. (Moderno Popol Vuh).  Rio de Janeiro: Summus Editora, 1978. 108 p.  formato 24x23 cm.  capa dura e sobrecapa.
                 

A GRANDE FALA DO ÍNDIO GUARANI (1978)

(fragmento)

 

3

E a pergunta martela e pousa

como um corvo

                         no desespero aberto da janela.

 

- Quem escreveria o poema de meu tempo?

- Eu próprio? Mas, com que mãos, arroubos, insânias?

                               com que vaidades, prêmios, vexames?

 

Fala alguém por alguém

                                    - com alheio coração?

Vive alguém por alguém

                                    - ou morre sempre aquém da própria mão?

 

Não seriam a fala

                   o amor

                   a vida

                                    a metafórica versão do exílio

                                    o brilho da apagada estrela

                                    ausência e concreção do nada?

 

Sim, é verdade que cada dia sei mais do que se compõem a poesia e o nada.

 

      Debulho poemas e milharais

      como o camponês aduba estrofes e mulheres.

      Mas me sinto maduro e inútil. Como ontem:

                                                          - imaturo e fútil.

 

Não acordo mais às cinco

não selo mais o animal

desesperam-me os vegetais. Do pomar

olho minha inútil biblioteca. Doirados

frutos na estante..

 

                        Inutilíssima sapiência. Sabíamos tudo.

                        Merecíamos tudo. Tínhamos até fé.

 

Outrora eu passeava entre canteiros de enciclopédias

limpando pulgões podando ervas e páginas. Perdia-me

na contemplação da abelha sobre as letras:

- favos de mel derramavam-se da estante.

 

Todos nós líamos os poetas

mas não lavramos um mundo mais justo,

E enquanto soturnos decifrávamos as tabuinhas dos

caldeus os mais astutos e modernos

                               empolgavam o poder e o generais

marcando em nossas testas anátemas fatais.

 

E líamos grossos romancistas

exalando suor vermelho e revoltas sobre a praça.

Povo era a palavra

                               e o amanhã era a palavra

                                                                da palavra povo.

 

Mas porque estava tudo escrito

                                            nosso futuro

                                                                  petrificado

de nós se alienou.

                       Ontem soltávamos pombas nos estádios

éramos livres, juvenis e a paz um poster de Picasso.

Mas foram-se os posters e Picasso

                        - e as pombas não voltaram nunca mais.

 

Nossos pais também liam os poetas

citavam os clássicos

              e pelas noites com seus robes tomavam chávenas

              e liam dourados tomos sem ver as traças

                                                              - que nos comem.

 

Mas os acontecimentos desviaram-se dos livros

e por mais que entulhássemos os cursos de história

de novo a história

                              desviava-nos seus rios

e os livros

                 nem sempre férteis

                                                 aprodreciam no Nilo.

E sobrevieram borrascas e explodindo códigos e leis

que eram logo dissolvidos e refeitos em novas leis

e códigos. E erguíamos diques e parágrafos murando o mar

e a ressaca dos fatos

                                   - a tudo rebentar.

A vida, a vida é mais que profecias e algemas

             a vida é irrefreável

                           não se contém nas lâminas

                                                          partidos

                                                          nem nos fichários

                                                          e antenas

a vida

               - é o impoemável poema.

 

 

 

SANT´ANNA, Affonso Romano.  Que país é este? e outros poemas.  Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.  175 p.  (Coleção Poesia Hojea, volume 38)  14x21 cm. Capa: Victor Burton. 

 

QUE PAÍS É ESTE? (1980)

 

(fragmento)

para Raymundo Faoro

 

              Puedo decir que nos han traicionado? No. Que

               todos fueron buenos? Tampoco. Pero allí está

               una buena voluntad, sin duda y sobretodo, el ser así.

                                                                 CÉSAR VALLEJO

 

1

       Uma coisa é um país,

           outra um ajuntamento.

 

           Uma coisa é um país,

           outra um regimento.

 

           Uma coisa é um país,

           outra o confinamento.

 

Mas já soube datas, guerras, estátuas

usei caderno “Avante”

                                     - e desfilei de tênis para o ditador.

Vinha de um “berço esplêndido” para um “futuro radioso”

e éramos maior em tudo

                                        - discursando rios e pretensão.

 

           Uma coisa é um país,

           outra um fingimento.

 

           Uma coisa é um país,

           outra um monumento.

 

           Uma coisa é um país,

           outra o aviltamento.

 

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça

em busca da especiosa raiz? ou deveria

parar de ler jornais

                                 e ler anais

como anal

                   animal

                               hiena patética

                                                       na merda nacional?

Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo

comendo o que as traças descomem

                                                            procurando

o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso

que nos impeliu a errar aqui?

 

             Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos

              nacionais, como qualquer santo barroco a rebuscar

              no mofo dos papiros, no bolor

              das pias batismais, no bodum das vestes reais

              a ver o que se salvou com o tempo

              e ao mesmo tempo

                                               - nos trai.

 

Que país é este?”, título da obra de Affonso Romano de Sant´Anna foi transformado em letra de música, ganhou uma extraordinária popularidade, já faz parte de nosso referencial nacional. Agora aparece nesta charge de 2015. Certamente que será uma constante em nossa história republicana...

 

VIDEO – VEJA MATÉRIA SOBRE O LIVRO “QUE PAÍS É ESTE”>>>

https://quepaiseesteolivro.wordpress.com/category/uncategorized/

 

 

ARTE FINAL

 

Não basta um grande amor

                                             para fazer poemas.

E o amor dos artistas, não se enganem,

não é mais belo

                          que o amor da gente.

 

O grande amante é aquele que silente

se aplica a escrever com o corpo

o que seu corpo deseja e sente.

 

Uma coisa é a letra,

e outra o ato,

                       - quem toma uma por outra

                       confunde e mente.

 

 

 

GAIA CIÊNCIA

 

Gosto de me iludir

                              pensando

que hoje amo

melhor que ontem amei.

 

Assim desculpo o jovem afoito

que, em mim, me antecedeu

e, generoso, encho de esperanças

o velho sábio

que amará melhor que eu.

 

 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 

Epitáfio para o século XX

1.

Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2.

Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3.

Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
-nux vômica.

4.

Aqui jaz o século
que um muro dividiu.
Um século de concreto
armado, canceroso,
drogado,empestado,
que enfim sobreviveu
às bactérias que pariu.

5.

Aqui jaz um século
que se abismou
com as estrelas
nas telas
e que o suicídio
de supernovas
contemplou.
Um século filmado
que o vento levou.

6.

Aqui jaz um século
semiótico e despótico,
que se pensou dialético
e foi patético e aidético.
Um século que decretou
a morte de Deus,
a morte da história,
a morte do homem,
em que se pisou na Lua
e se morreu de fome.

7.

Aqui jaz um século
que opondo classe a classe
quase se desclassificou.
Século cheio de anátemas
e antenas,sibérias e gestapos
e ideológicas safenas;
século tecnicolor
que tudo transplantou
e o branco, do negro,
a custo aproximou.

8.

Aqui jaz um século
que se deitou no divã.
Século narciso & esquizo,
que não pôde computar
seus neologismos.
Século vanguardista,
marxista, guerrilheiro,
terrorista, freudiano,
proustiano, joyciano,
borges-kafkiano.
Século de utopias e hippies
que caberiam num chip.

9.

Aqui jaz um século
que se chamou moderno
e olhando presunçoso
o passado e o futuro
julgou-se eterno;
século que de si
fez tanto alarde
e, no entanto,
-já vai tarde.

10.

Foi duro atravessá-lo.
Muitas vezes morri, outras
quis regressar ao 18
ou 16, pular ao 21,
sair daqui
para o lugar nenhum.

11.

Tende piedade de nós, ó vós
que em outros tempos nos julgais
da confortável galáxia
em que irônico estais.
Tende piedade de nós
-modernos medievais-
tende piedade como Villon
e Brecht por minha voz
de novo imploram. Piedade
dos que viveram neste século
per seculae seculorum.

 

 

Usei o poema EPITÁFIO PARA O SÉCULO XX durante dois ou três semestres no Curso de Pós-graduação em Ciência da Informação, na Universidade de Brasília, na disciplina que então ministrava – Informação, Desenvolvimento e Sociedade. Os alunos liam e fazíamos uma verdadeira heurística do texto. Por que?

 

O poema de Affonso é o que eu chamo de legítimo “poema-ensaio”, com um conteúdo informacional preciso, no que Roberto Juarroz chamaria de “poiesofia”. Produto de um scholar que disserta magistralmente sobre o tema com eruditismo e domínio da técnica poética, em que as informações se conformam em versos rítmicos de “palavra-puxa-palavra” mas não por simples intenção onomatopaica, mas, sobretudo, significante, coisificante. Sucessor de Drummond, conhecedor do poema processo (que até deve ter combatido em seus excessos formalísticos), os versos compõem um mosaico que analisa e cristaliza uma visão crítica do/no ocaso do século passado. Magistral é a palavra que eu uso tanto para significar a magnificência dos versos quanto seu didatismo.Exige do leitor uma interpertação a partir das palavras-chave que invoca em seu discurso “exemplar”, de contexto, de posição histórica e crítica sobre os elementos citados, que devem necessariamente ser do conhecimento do leitor. Poema síntese de idéias e valores que “dan relevamiento” a um século que se foi, e que foi tarde...        

                                                                           Antonio Miranda

 

O HOMEM E SUA SOMBRA

De
O HOMEM E SUA SOMBRA
Ilustrações Maria Angela Biscaia
Porto Alegre: Alegoria, 2006

 

9

Era um homem com uma sombra feminina.

Com ela se dava bem
— os outros é que estranhavam.

Olhado de perfil
parecia uno, duro, macho.

Mas nela cresciam seios
e era como se a sombra
à revelia do homem

— no escuro  engravidasse.

 

10

— Que sombra estranha me deram!
(o homem conjeturava
pois sua sombra
não andava).

Estática
ficava ancorada
onde bem lhe apetecia.

O homem a chamava
ela não se mexia.

Desguarnecido de sua sombra
seu dono já não sabia
se a ia ou se ficava.
                            Não ia
a parte alguma.
Ao redor da própria sombra

circulava.

 

SANT´ANNA, Affonso Romano. Textamentos. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. 174 p.  14X21 cm.  ISBN 85-325-1065-5  “ Affonso Romano de Sant´Anna “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

LINGUÍSTICA

Diz o linguista:
— “a palavra cão não morde”.
Morde.
Saí com a perna sangrando após a aula.

Diz o linguista
— “a palavra cão não late”,
Late
e não me deixa dormir
com seus latidos.

Diz o linguista
— “a palavra cão não come”.
Come
e se alimenta de minha carne.

 

SANT´ANNA, Affonso Romano.  O lado esquerdo do meu peito (Livro de aprendizagens).  2ª edição. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.  212 p.  14x21 cm. Ilustração da capa: Juan José Balzi. “ Affonso Romano de Sant´Anna“  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

DIALETICA 1961

 

Então me digo:

— Se a história é isto,

eu desço do bonde agora.

 

Mas o exegeta perora:

 

— Não é você quem desce.

E a história que passa

e vai embora, é a história

que te come e caga fora.

 

Gosto da frase, embora

crua e sonora. A compraria

e a exibiria nas salas

arquivando-a na memória.

 

— Deixo a história?

— Ou ela me bota fora?

 

— Será que a história

é uma velha senhora?

ou uma escola com bedel

batendo a hora?

 

Será um trem que me deixa

pedestramente na plataforma? 

 

 

SANT´ANNA, Affonso Romano.  A Catedral de Colônia e outros poemas.  Rio de Janeiro: Rocco, 1985. 178 p.  14x21 cm.   Capa: Ana Maria de Araújo Duarte.  “ Affonso Romano de Sant´Anna “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

MINHA MORTE ALHEIA

 

Quando eu morrer

alguns amigos vão levar um baque enorme.

E na hora da notícia ou do enterro

sentirão que alguma coisa grave aconteceu pra sempre.

 

Depois

irão se esquecendo de mim,

da cor do luto

                    — e da melancolia,

exatamente

                    como eu fiz

com os outros que em mim também morreram.

 

O morto, por pouco, é pesado e eterno.

Amanhã

 

a vida continua com buzinas, provérbios,

sorveteiros nas esquinas,

esplêndidas pernas de mulheres

e esse ar alheio

 

de que a morte

não apenas se dilui aos poucos,

mas é uma coisa que só acontece aos outros.

 

 

 

SANT´ANNA, Affonso Romano. Vestígios.  Rio de Janeiro: Rocco, 2005.   ISBN 85-325-1858-3196 p.  16x23 cm.  “Orelha” do livro por José Mario Pereira. “ Affonso Romano de Sant´Anna “  Ex. bibl. Antonio Miranda 

Vestígios atesta e reafirma a força de uma voz poética de largo estro na história da literatura brasileira e repõe uma questão decisiva: já não terá chegado a hora de a crítica universitária reconhecer, como tema e como fatura, a singularidade da poesia de Affonso Romano de Sant´Anna vem produzindo, indiferente a cara feia das patrulhas?”  JOSÉ MARIO PEREIRA

 

O HOMEM E SUA SOMBRA - 9

 

Era um homem com uma sombra feminina.

 

Com ela se dava bem

— os outros é que estranhavam.

 

Olhado de perfil

parecia uno, duro, macho.

 

Mas nela cresciam seios

e era como se a sombra

à revelia do homem

          — no escuro engravidasse.

 

 

SANT´ANNA, Affonso Romano dePoesia sobre poesia.  Rio de Janeiro: Imago Editora, 1975,  246 p.  (Série Poesia Imago Direção de Jayme Salomão)  14x21 cm. Capa e diagramação: Mauro Kleiman. “ Affonso Romano de Sant´Anna “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

A CASA

 

A casa é como o corpo:

tijolo é célula

sob o reboco.

 

A casa imita o corpo

sendo abrigo temporal

de sangue, areia e cal.

 

E como o corpo do homem

no princípio, estava nágua

e veio criando patas

até se concretizar.

 

Como este corpo impingido

tem seus lugares escusos

tem seus cómodos despidos

e fechados de vergonha.

 

E como o corpo

é objeto oriundo

de duplo esforço conjunto

que se fecunda no espaço

e sobre o tempo se abre,

 

e quando se abre é bela

dando à luz, cortina e flor.

 

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

Textos de Ricardo Ruiz

(Argentina)

 

 

EL GRAN HABLA DEL ÍNDIO GUARANÍ (1978)

(fragmento)

 

3

Y la pregunta martilla y se posa

como un cuervo

                         en la desesperación abierta de la ventana.

 

- ¿Quién escribiría el poema de mi tiempo?

- ¿Yo mismo?  ¿Mas, con que manos, éxtasis, locuras?

                                 ¿con que vanidades, premios, vejámenes?

 

Habla alguien por alguien

                                    - ¿con ajeno corazón?

Vive alguien por alguien

                                    - ¿o muere siempre de este lado de mano propia?

 

¿No serían el habla

                  el amor

                  la vida

                                    la metafórica versión del exilio

                                    el brillo de una estrella apagada

                                    ausencia y concreción de la nada?

 

Sí, es verdad que cada día se más de lo que se componen la poesía y la nada.

 

      Desgrano poemas y maizales

      como un campesino abona estancias y mujeres.

      Pero me siento maduro e inútil. Como ayer:

                                                          - inmaduro y fútil.

 

No me levanto más a las cinco

no yerro mas al animal

me desesperan los vegetales. Del huerto

veo mi inútil biblioteca. Dorados

frutos en el estante.

 

                        Inutilísima sabiduría. Sabíamos todo.

                        Merecíamos todo. Teníamos hasta fe.

 

Otrora yo paseaba entre canteros de enciclopedias

limpiando pulgones podando hierbas y páginas. Me perdía

en la contemplación de la abeja sobre las letras:

- celdas de miel se derramaban del estante.

 

Todos nosotros leíamos a los poetas

mas no labramos un mundo mas justo.

Y en cuanto taciturnos descifrábamos las tablillas de los

caldeos los más astutos y modernos

                               entusiasmaban al poder y a los generales

marcando en nuestras cabezas anátemas fatales.

 

Y leíamos sólidos novelistas

exhalando sudor rojo y revueltas sobre la plaza.

Pueblo era la palabra

                               y el mañana era la palabra

                                                                de la palabra pueblo.

 

Mas porque estaba todo escrito

                                            nuestro futuro

                                                                  petrificado

de nosotros se apartó.

                       Ayer soltábamos palomas en los estadios

éramos libres, jóvenes y la paz un poster de Picasso.

Pero se fueron los posters y Picasso

                        - y las palomas no volvieron nunca mas.

 

Nuestros padres también leían a los poetas

citaban los clásicos

              y por las noches con sus robes tomaban en sus tazas

              y leían dorados tomos sin ver las polillas

                                                              - que nos comen.

 

Mas los acontecimientos se desviaron de los libros

y por mas que enterrásemos los cauces de la historia

de nuevo la historia

                              nos desviaba sus ríos

y los libros

                 no siempre fértiles

                                                 se pudrían en el Nilo.

Y sobrevinieron borrascas y explotando códigos y leyes

que eran luego disueltos y rehechos en nuevas leyes

y códigos. Y erguíamos diques y párrafos amurallando el mar

y la resaca de los hechos

                                   - reventando todo.

La vida, la vida es más que profecías y grilletes

             la vida es irrefrenable

                           no se encuentra en las láminas

                                                                partidos

                                                                ni en los ficheros

                                                                y antenas

la vida

               - es el  impoemable poema.

 

 

 

¿QUE PAÍS ES ESTE? (1980)

(fragmento)

para Raymundo Faoro

 

              Puedo decir que nos han traicionado? No. Que

               todos fueron buenos? Tampoco. Pero allí está

               una buena voluntad, sin duda y sobretodo, el ser así.

                                                                 CÉSAR VALLEJO

 

1

       Una cosa es un país,

           otra una aglomeración.

 

           Una cosa es un país,

           otra un regimiento.

 

           Una cosa es un país

,

           otra el confinamiento.

 

Mas ya supe fechas, guerras, estatuas

use cuaderno “Avante”

                                     - y desfile en zapatillas para el dictador.

Venía de una “cuna esplendida” hacia un “futuro radiante”

y éramos lo más grande en todo

                                        - discursando ríos y pretensión.

 

           Una cosa es un país,

           otra un fingimiento.

 

           Una cosa es un país,

           otra un monumento.

 

           Una cosa es un país,

           otra el envilecimiento.

 

¿Debería derribar penosos mapas sobre la plaza

en busca de la engañosa raíz? ¿o debería

parar de leer diarios

                                 y leer anales

como anal

                   animal

                               hiena patética

                                                       en la mierda nacional?

¿O debería, en fin, ayunar en la Torre do Tombo

comiendo lo que las polillas descomen

                                                            procurando

el Quinto Imperio, el primer mapa náutico, la viciosa visión del paraíso

que nos impelió a errar aquí?

 

             Subo, de rodillas, las escaleras de los archivos

              nacionales, como cualquier santo barroco a rebuscar

              en el moho de los papiros, en las manchas

              de las pilas bautismales, en el mal olor de las vestimentas reales

              a ver lo que se salvo con el tiempo

              y al mismo tiempo

                                               - nos traiciona.

 

 

 

ARTE FINAL

 

No basta un gran amor

                                             para hacer poemas.

Y el amor de los artistas, no se engañen,

no es más bello

                          que el amor de la gente.

 

El gran amante es aquel que silencioso

se aplica a escribir con el cuerpo

lo que su cuerpo desea y siente.

 

Una cosa es la letra,

y otra el acto,

                       - quien toma una por otra

                       confunde y miente.

 

 

 

GAYA CIENCIA

 

Gusto de engañarme

                              pensando

que hoy amo

mejor de lo que ayer amé.

 

Así disculpo al joven audaz

que, en mí, me antecedió

y, generoso, lleno de esperanzas

el viejo sabio

que amará mejor que yo.

 

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Traducciones del poeta chileno Adán Méndez 

Publicados originalmente em: www.letras.s5.com/ 

 

 

PEQUEÑOS ASESINATOS

 

Vegetariano

no dejo de llorar

sobre las legumbres descuartizadas

de mi plato.

 

Tomates sangran en mi boca,

lechugas se desmayan en la salsa de limón-mostaza-aceite,

cebollas sollozan sobre la pila

y oigo el grito de la patatas fritas.

 

Como,

como un salvaje, como.

Como tapándome el oído, cerrando los ojos,

distrayendo, en el paisaje, el paladar,

con la displicente voluptuosidad

de quien mata para vivir.

 

En la sobremesa

continúa la verde desesperación:

peras degolladas,

higos destripados

y yo chupando el cerebro

amarillos de los mangos.

 

Esto aquí afuera. Pues allá dentro

bajo la piel, una intestina disputa

me alimenta: oigo el lamento

de millones de bacterias

que los lanzallamas de los antibióticos

exasperan.

 

Por donde voy es luto y lucha.

 

 

LA INTRUSA

 

Ella quería entrar a la fuerza en mi poema.

Primero, metió la pierna

con el muslo expuesto.

(El poema resistiendo.)

Después las uñas pintadas.

Cuando abrió la boca para el beso

saqué todas las bilabiales del texto.

Restaron sus largos cabellos

cubriéndome una estrofa entera.

Pero esto lo verán tan sólo

quienes sepan leer palimpsestos. 

 

 

CARTA A LOS MUERTOS

 

Amigos, nada cambió

en esencia.

 

Los salarios apenas cubren los gastos,

las guerras no terminaron

y hay virus nuevos y terribles

pese al avance de la medicina.

Cada cierto tiempo un vecino

cae muerto por un asunto de amor.

Hay películas interesantes, es verdad,

y como siempre, mujeres portentosas

nos seducen con sus bocas y sus piernas,

pero en materia de amor

no inventamos ninguna nueva posición.

 

Algunos cosmonautas permanecen en el espacio

seis meses o más, testeando el engranaje

y la soledad.

En cada olimpíada hay records previstos

y en los países, avances y retrocesos sociales.

Pero ningún pájaro modificó su canto

con la modernidad.

 

Remontamos las mismas tragedias griegas,

releemos Don Quijote, y la primavera

llega puntualmente cada año.

 

Algunos hábitos, ríos y bosques

se perdieron.

Ya nadie coloca sillas en la vereda

o toma el frescor de la tarde,

pero tenemos máquinas velocísimas

que nos dispensan de pensar.

 

Sobre el desaparecimiento de los dinosaurios

y la formación de las galaxias

no avanzamos nada.

Ropas van y vuelven según las modas.

Gobiernos fuertes caen, otros se levantan,

países se dividen

y las hormigas y las abejas continúan

fieles a su trabajo.

 

Nada cambió en esencia.

Cantamos felicidades en las fiestas,

discutimos fútbol en la esquina

morimos en estúpidos desastres

y cada cierto tiempo

uno de nosotros mira al cielo cuando estrellado

con el mismo pasmo del hombre de las cavernas.

Y cada generación, insolente,

sigue hallando

que vive en la cumbre de la historia. 

 

 

VEJEZ ERÓTICA

 

Estoy viviendo la gloria de mi sexo

a dos pasos del crepúsculo

Dios no se escandaliza con esto.

 

El júbilo maduro de la carne

me enternece.

Envejezco, sí. Y

(ocultamente)resplandezco.

 

 

IN ILLO TEMPORE

 

Había un cierto orden en aquel tiempo.

Siendo verano, llovía a las cuatro de la tarde.

Los pájaros se posaban en las ramas

cantando cada cual su canción.

 

Es verdad que perros y gatos

continúan obedeciendo nuestras órdenes

a veces absurdas

y algunos se acuestan a nuestros pies

y besan nuestras manos.

 

Pero había un cierto orden en ese tiempo.

Un cuadrado era perfecto

y un triángulo de tres lados

podía llegar a la perfección.

 

 

NUEVO GÉNESIS

 

En el primer día

el Demonio crió el universo y todo lo que hay en él

y vio que era bueno

 

En el segundo día

creó la codicia, la usura, la envidia, la gula, la pereza, la soberbia, la iraque llamó siete virtudes capitales

y vio que era bueno

 

En el tercer día creo las guerras.

En el cuarto día creó las epidemias.

En el quinto día creo la opresión.

En el sexto día creó la mentira

y en el séptimo día, cuando iba a descansar,

hubo una rebelión en la jerarquía de los ángeles

y uno de ellos, de nombre Dios,

quiso revertir el orden general de las cosas,

pero fue exiliado

en la peor parte del Infierno – los Cielos.

 

Desde entonces

el Demonio y sus huestes continúan firmes

en la conducción de los negocios universales,

aunque cada cierto tiempo un serafín, un querubín

y algún hijo de Dios, provoquen protestas, milagros, revoluciones

queriendo forzar el Bien donde hay Mal.

 

Sin embargo no han sido muy exitosos hasta el momento,

excepto en casos particulares

que no alteraron en nada la marcha general de la historia.

 

 

MUERTE EN LA TERRAZA

 

Muere otra paloma en la terraza.

Viéndola encogida hace días, yo no sabía

que la paloma (en aquella paloma) moría.

Llamo a mi mujer

para que me ayude a vivir más esa muerte.

Ella la toma en la mano. (Los animales la aman.)

La acaricia y la deja descansar en la sombra.

 

De nuevo sola,

la paloma mira el mundo quieto y estático.

De repente pone las patitas hacia arriba

batiendo las alas en un espasmo. (Otra paloma,

sorprendida por la escena, viene picoteando semillas

junto al cuerpo que agoniza.)

 

Tomo un bolígrafo rojo y anoto, urgente,

la muerte de la paloma en el poema.

La paloma deja caer la cabecita.

El poema se inclina.

Una gota roja cae del pico (o pluma)

y el poema

-termina.

 

Textos gentilmente enviados de Chile por el poeta Leo Lobos.

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EPITAFIO PARA EL SIGLO XX

 

Aquí  yace  un siglo

donde hubo dos o três guerras

mundiales y millares

de otras pequeñas

e igualmente bestiales.

 

2. Aquí yace un siglo

en que se creyó

que ser de izquierda

o de derecha

eran cuestiones centrales.

 

3. Aquí yace un siglo

que casi se esfumo en la nube atômica.

Se salvo por suerte

y por los pacifistas

con su homeopática

actitud

         — nux-vômica.

 

4. Aquí yace un siglo

que un muro dividió.

Um siglo de concreto

armado, canceroso,

drogado, apestado,

que al fin sobrevivió

a las bactérias que parió.

 

5. Aquí yace um siglo

que se abismo

con las estrellas

en las telas

y que el suicidio

de supernovas

contemplo.

Un siglo filmado

que el viento se llevó.

 

6. Aquí yace un siglo

semiótico y despótico,

que se creyó dialéctico

y fue sidoso y patético.

Un siglo que decreto

la muerte de Dios, la muerte de la historia,

la muerte del hombre, en que se piso la luna

y se murió de hambre.

 

7. Aquí yace un siglo

que oponiendo clase a clase

casi se desclasificó.

Siglo lleno de anátemas,

antenas, siberias y gestapos

e ideológicas safenas;

siglo technicolor

que todo transplanto

y elbBlanco con el negro

a la fuerza junto.

 

8. Aquí yace un siglo

que se echó en el diván.

Siglo narciso & esquizo

que no pudo computar

sus neologismos.

Siglo vanguardista,

marxista, guerrillero,

terrorista, freudiano,

proustiano, joyceano,

Borges-kafkiano.

Siglo de utopias y hippies

que en un chip entrarían.

 

9. Aquí yace un siglo

que se llamó moderno

y mirando soberbio

el pasado y el futuro

se creyó eterno;

siglo que de sí

hizo tal alarde

y, sin embargo,

                   —se va ya muy tarde.

 

10.  Fue duro atravesarlo,

Muchas veces morí, otras

quise volver al XVIII,

o al XVI, saltar al XXI, salir de aqui

¿a qué lugar?

                   — NInguno.

 

11.  Piedad de nos, oh vosotros,

que en otros tiempos nos juzgáis

desde la amena galáxia

en que irônicos estais.

Piedad de nos,

— modernos medievales —

piedad de nos, como Villon

y Brecht, que por mi voz

de nuevo imploran. Piedad

de los que en este siglo vivieron

per omnioa saecula saeculoroum.

 

 

 *******

 

Extraído de EL HOMBRE BOMBA ANTOLOGÍA AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA, publicación de Chile Poesía Editorial. Santiago de Chile: 2005. Em coedición con la Embajada de Brasil.

 

Ganhei o exemplar desta obra do Centro de Estudos Brasileiros. Comentando com o autor (Affonso), ele brincou referindo-se à situação de portar o livro no vôo Santiago-São Paulo e só então perceber que o título da obra — EL HOMBRE BOMBA – poderia causar algum desassossego aos tripulantes e passageiros... Certo que a poesia é explosiva e pretende mudar o mundo, pelo menos em seus alicerces ideológicos.

 

SANT´ANNA, Affonso Romano.  Epitafio para el siglo XX.  (Antología). Selección y traducción: Eduardo Estévez y Eduardo Cobos.   Caracas: Alcaldía de Caracas - FUNDARTE, 1994.  217 p. (Colección Breves, 49)  11,5X21 cm.  Centro de Estudios Brasileños.  “ Affonso Romano de Sant´Anna “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

CEIA DOS ANOS

 

Aos quarenta

descubro o prazer oral

da comida de que, bem ou mal,

                    — se alimenta o escriba.

Uma cena de Visconti ou filme italiano

da época: vinho, copos de cristal

toalha branca

                    — e lá me vem o paladar em gotas.

Canibal, Luiz XIV, XV, XVI, solar,

lunático no céu da boca

sorvendo as filigranas da corte

como se numa adega reinol,

como se um camponês europeu

com o pão fresco presunto e queijo

na rústica tábua como o vinho.

Dentro em mim há um medievo

castelão, um cruzado

que retoma, joga a armadura ao chão,

se encharca de vinho e pão na mesa dura

religiosamente. Pagãmente

como nos panos da cama o cardeal

deflora a noviça mais viçosa do convento

e conserva na face o despudor vermelho

                              — de uma mística ereção.

 

 

CENA DE LOS AÑOS

 

A los cuarenta

descubro el placer oral

en la comida de la que, mal o bien,

                    — se alimenta el escritor.

Una escena de Visconti o un film italiano

de época: vinos, vasos de cristal

mantel blanco

          — desde allá me viene el paladar en gotas.

Caníbal, Luis XIV, XV, XVI, solar,

lunático en el paladar

sorbiendo las filigranas de la corte

en una bodega real,

como campesino europeo

con el pan fresco, queso, jamón

en la rústica mesa y el vino.

Dentro de mí hay un señor medieval,

un cruzado que al volver,

tira la armadura al suelo,

se atosiga de pan y vino en la dura mesa

religiosamente. Paganamente

sobre las cobijas el cardenal

desflora a la novicia más vigorosa del convento

y conserva en el rostro el impudor rojo

                              — de una mística erección.

 

 

ARTE-FINAL

 

Não basta um grande amor

                                       para fazer poemas.

E o amor dos artistas, não se enganem,

não é mais belo

                    que o amor da gente.

 

O grande amante é aquele que silente

se aplica a escrever com o corpo

o que seu corpo deseja e sente.

 

Uma coisa é a letra,

e outra o ato,

 

— quem toma uma por outra

confunde e mente.

 

 

ARTE FINAL

 

No basta un gran amor

                    para hacer poemas.

Y el amor de los artistas, no se equivoquen,

no es más bello               

                    que el amor de la gente.

 

El gran amante es aquel que silencioso

se propone escribir con el cuerpo

lo que su cuerpo desea y siente.

 

Una cosa es la letra,

y otra el acto,

 

— quien toma una por otra

confunde y miente.

 

 

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 Página ampliada e republicada em janeiro de 2008/ ampliada e reeditada em abril 2008 ; ampliada e reeditada em janeiro de 2010.

 

 

 

 

 

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